Introdução por Marcelo Martins
Resolvi criar esta seção no site porque tive vontade de escrever histórias sobre como as músicas do Plexus nasceram. São como “liner notes” (comentários que são impressos em edições especiais ou relançamentos de CDs, onde o autor fala sobre curiosidades da música em questão) mas em versão estendida, já que no site temos um espaço quase ilimitado.
As memórias são auto-análises de como as músicas foram compostas, as letras escritas e devidamente registradas no estúdio, explorando até alguns detalhes bastante específicos e técnicos. Creio que para os compositores, pelo menos, é uma leitura interessante. Não se trata de presunção, ar de superioridade ou qualquer outra forma de exibicionismo é apenas uma vontade de expressar os sentimentos criados pela música de uma outra maneira.
Há um grande, imenso esforço em criar músicas que não sejam muito parecidas entre sí. Não queremos que os nossos discos soem exatamente da mesma maneira e também não queremos que o ouvinte enjoe do disco na terceira faixa porque ela simplesmente é igual a primeira.
Esta atitude também tem um lado ruim, porque podem dizer que o espectro de influências é tão grande que o disco tem “vários estilos diferentes” dentro de um mesmo pacote. Eu não concordo. Para mim, existe um elo de ligação entre as músicas e os três discos que confere uma certa originalidade ao trabalho do grupo. E é assim que ficamos felizes fazendo música.
Por último, acho que as letras da Plexus são um pouco obscuras. Não gosto de escrever coisas óbvias e sei que é difícil interpretar algumas coisas bastante específicas que penso quando componho algo. Por isso falo um pouco sobre elas, não para tentar induzir interpretações para alguém, e sim, para confirmar que temos alguma coisa para falar e que as letras não são vazias.
A leitura é longa, mas acredito que será proveitosa pra quem curte o nosso som e quer saber um pouco mais sobre as canções. Espero que se divirtam lendo, da mesma forma que adorei escrever estas linhas.
Marcelo Martins - Março 2006
Introdução por Iassa
Vamos começar com a grande história do Plexus por Iassa. Antes de tudo tenho que esclarecer algo aqui, Futrica, mais conhecido como Marcelo Martins, guitarrista e principal compositar da banda não teve essa idéia do nada.... me lembro como se fosse agora eu conversando com ele pelo maldito MSN.
“Futrica, tenho que te contar um lance. Eu estava ouvindo Lifecycles com uma amiga e comecei a relatar a história de como tudo aconteceu até Life!! Velho, ela se emocionou tanto que até me deu um beijo”
Dois dias depois, em um e-mail, Futrica diz :
“....tive vontade de escrever histórias sobre como as músicas do Plexus nasceram...”
Sou um cara espiritualizado (pode não parecer mas sou!) e sei que coincidência é algo que não existe, mas perturbações aparte o que realmente importa aqui é a informação que esta sendo passada nesta seção do site e que pode ser muito útil. Há uma diferença. A proposta de Marcelo é relatar como surgiram as músicas deste último CD, fazendo uma auto análise das músicas, de uma forma quase freudiana, eu simplesmente relatei o que rolou nesses mais de 5 anos para chegar em Lifecycles e de como foi edificante. Ganhei um beijo não foi?!
- Observação de Marcelo Martins: Na verdade, a idéia surgiu bem antes dessa conversa do MSN. Fui inspirado pelo site de Marty Friedman, só que no site dele, não há desenvolvimento muito grande do tema. Também queria colocar "liner notes" no CD, mas isso talvez não fizesse muito sentido num CD underground de metal... Então só restou o site! Mas, tudo bem, não vou ficar discutindo se a idéia veio daqui ou dacolá, deixa Loufa ficar feliz.
Vamos aos fatos. As músicas do Plexus são passadas para mim e para Ricardo, em sua grande maioria, em um cd com as bases da guitarra. Vocês devem imaginar o quão angustiante é isso para um batera. Sabe lá Deus o que passou pela cabeça do sacripanta e que drogas ele estava usando quando ele criou a música, qual era a intenção dele, o que ele imaginava e etc.
No início eu ficava maturando muito, ligava para saber, mas é um saco fazer isso. Sempre que fazia ficava com impressão que eu estava automatizando o processo em cima do que ele dizia que imaginou (guitarrista é um ser muito imaginativo, mas na hora que aperta para saber o que ele queria em alguma parte da música se ouve as mais incríveis explicações e acaba ficando mais perdido que cego em tiroteio descendo a ladeira do pelourinho correndo embaixo de chuva forte ), e para mim música não é isso, tem que haver a parte da espontaneidade, do que vem no primeiro momento quando se ouve a música, do meu sentimento em relação a ela.
Comecei a abstrair essa preocupação e chegava no estúdio com minhas partes prontas, tocava e ouvia Futrica falar, quase sempre “eu imaginava algo diferente, mas ficou legal assim! Deixe assim, Loufa”.
Certo que sempre vamos ajustando de acordo com o que a música pede e do que quem criou quis dizer, às vezes (quase sempre) a gente se excede e vai colocando tudo de vez, mas as coisas vão se ajustando e depois é só correr para o abraço.
Um lance muito importante é ouvir o que os caras te dizem a respeito do que você acabou de tocar, mas não acredite piamente no “tá legal”, na maioria das vezes eles nem notaram o que você fez. Se estiver na dúvida de alguma parte toque pedindo que eles prestem atenção. É uma merda chegar para gravar e ouvir “- Era isso que você fazia?! Não tá muito legal não!!!” e ter que mudar imediatamente algo que você já vem tocando a meses, às vezes anos. Em suma: é uma merda.
Outro lance é ver a expressão deles no momento em que estão tocando, isso é um indicativo muito importante de que as coisas estão legais ou não. Para ilustrar, quando estávamos passando Sinceridade pela segunda vez, creio, eu fiz a marcação nos tons junto com a guitarra, (um lance lógico para se fazer nesta parte mas que por algum motivo não tinha feito no ensaio anterior, ou tinha feito outra coisa) a expressão no rosto de Marcelo foi imediata de que era por alí, apesar dele até hoje dizer que ela era para ser uma balada lenta e meiga.
O que sempre me ajudou muito foi o entrosamento com o baixista. Comecei a notar isso quando estava tocando na Zona Abissal com Albertinho, grande músico. Aprendi o qual é importante estar sempre uníssono com o baixo, criando uma parede sonora para sustentar a música. No caso da Plexus, ouça o disco...
Observação de Marcelo Martins - Eu até hoje me impressiono com a maneira que Ricardo gravou este disco, ele batia no baixo! O som era gordo, gigantesco. De fato, eles são uma cozinha muito unida e coesa.
Chega de blá blá blá. Vou seguir o relato de futrica, simplesmente para ficar mais didático. Devo lembrar que vou relatar a forma como interagi com as composições da Plexus e como fui criando as partes da bateria.
Iassa - Março 2006
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faixas retiradas do cd LIFECYCLES - 2006 |
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