6. Simple Dualistic Things (clique aqui para baixar a música)
Essa música foi feita logo após um show de divulgação do nosso debut em Cruz das Almas, interior da Bahia. Na oportunidade, até entreguei uma cópia para Martin Mendonça, o produtor do Debut que seria técnico de PA nesse show. A canção é um rock mid-tempo que se parece um pouco com o nosso debut e tem um refrão diferente, bastante inspirado na clássica "Trust" do Megadeth.
No período de composição de Lifecycles, voltei a trabalhar nesta música cuja gravação estava em D, a afinação do debut. Eu gostava da música, mas ainda achava que as novas eram melhores. Como compositor eu sempre sinto que as músicas mais novas são muito melhores do que todas as antigas juntas. QUando não sinto isso ao terminar de compor um música nova, alguma coisa está errada. Além disso, ela tem uma parte lenta no meio e eu já estava me questionando se todas as nossas músicas seriam assim. Sinceridade, Arrival e Ronin já tinham isso e eu estava em crise por estar repetindo as mesmas fórmulas.
Por semanas tentei achar soluções e substituições para essa parte lenta, mas nada parecia funcionar corretamente. Até que, desisti de fazer essa música. Mas, com o tempo, começamos a trabalhar em outras que ficaram muito boas e não tinham partes lentas no meio, por isso acabei achando que a idéia original de Simple Dualistic Things era de fato boa. No fim, a parte limpa acabou ficando do mesmo jeito que ela tinha sido originalmente composta.
Quem brilha também nesta música são os arranjos de orquestra Jorge Neri. Acho que ele deu uma levantada necessária na música. Ficou diferente e muito mais interessante do que a versão original.
A letra:
Simple dualistic things
When I see you dead
Tears filled my eyes
Like a lightning bolt that finally meets sunrise
Joyful happiness that
Takes my life away
I won't waste my dying
On someone else's grave
Can't we just make our minds awake
Living freely with our dualistic things
Sorting explanations is a trial by fire
But there is no other way
Can't we just make our minds awake
Living freely with our dualistic things
Feeling nice with the opposition truth
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Em português:
Coisas simples e dualísticas
Quando vejo você morta
Meus olhos se enchem de lágrimas
Como um relâmpago que finalmente encontra o nascer do sol
Felicidade incomensurável
Que tira a minha vida
Eu não vou gastar minha morte
Morrendo na cova de outra pessoa
Será que não podemos deixar a nossa mente ciente?
Vivendo livremente com as nossas coisas dualísticas?
Encontrar explicações é uma prova de fogo
Mas não existe outro jeito
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Esta letra é a mais non-sense do disco. O título define bem a temática: eu falo sobre coisas simples, sentimentos comuns do dia-a-dia e das nossas dificuldades em aceitar paradoxos. Mesmo que poéticamente ela seja bonita em inglês, a tradução não fica tão boa. Também não há grandes significados por trás da letra, eu apenas quis ser o mais paradoxal possível.
"Como um relâmpago que finalmente encontra o nascer do sol" foi a primeira imagem paradoxal que consegui encontrar. Eu imagino uma puta tempestade, chuva pra todo o lado, aquele pé-d'água infernal com direito a trovões e relâmpagos e isso acontece ao mesmo momento em que o sol está nascendo, aquela imagem bucólica do raiar do sol em montanhas verdinhas. Somente pensar nisso já é paradoxal. Até porque quando chove, o céu está coberto de nuvens e por isso o sol não apareceria, mas nessa minha imagem ele aparece. Além disso ela soa bem em inglês.
Agora imagine um cÌrculo quadrado...
"Eu não vou gastar minha morte morrendo na cova de outra pessoa."
Eu falo da relação que as pessoas têm com a morte. Parece que, quando alguém morre, elas precisam reviver esse sofrimento durante toda a sua vida. Porque os túmulos existem, se debaixo da terra só existe pó? Porque as pessoas precisam de um lugar físico para lembrar dos que morreram e para sofrer? É só lembrar, não precisa ir pra lugar algum. Além disso, os cemitérios ocupam muito espaço e precisamos construir outras coisas.
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faixas retiradas do cd LIFECYCLES - 2006 |
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