2. The Immortal Cowboy (clique aqui para baixar a música)

Ah... O coubói. Minha música favorita de todo o disco e provavelmente de todas que já fiz. The Immortal Cowboy foi a última música a entrar no Lifecycles. Já tínhamos 11 músicas e iríamos fechar o disco com essa quantidade de canções. Mas eu tinha esse tal desse dueto guardado em meus arquivos que eu gostava muito e o nome da pasta era: “isso é Thin Lizzy”. E de fato, o dueto me lembrava bastante Thin Lizzy, uma das melhores bandas do mundo. Sou um grande fã do Thin Lizzy e isso veio da minha pesquisa através do Iron Maiden.

Como todos da banda são fãs do Maiden (antes de formar o Plexus, eu, Ricardo e Iassa tínhamos uma banda cover) praticamente todas as músicas do Plexus têm duetos. Mesmo que oficialmente a banda só tivesse três membros, a partir do Debut, eu sempre compunha as músicas pensando em duas guitarras. Sou um grande admirador de duetos de guitarra e acho que em qualquer coisa que eu estiver fazendo vou sempre tentar encaixar algum dueto alí. E o Iron Maiden é uma banda espetacular nesse sentido. Só que eu sempre lia o Steve Harris falar que sua grande influência era o Thin Lizzy e corri atrás para saber do que se tratava.

O meu primeiro contato com o Thin Lizzy foi através de Cláudio Escória, grande figura do rocker baiano. Ele me emprestou o disco “Live and Dangerous” e eu pirei. Era uma banda absurdamente pesada para a época, as músicas eram maravilhosas, a voz era sensacional e os duetos eram melhores do que o Iron Maiden! A partir desse dia, fucei tudo sobre a banda. Muita coisa que o Maiden fez foi altamente inspirada no Thin Lizzy e hoje considero o finado Phil Lynott um dos maiores compositores do mundo. O nome “The Immortal Cowboy” é claro e abertamente dedicado ao mestre Lynnot, que infelizmente já morreu, mas deixou o seu trabalho imortalizado em forma de ótimas canções.

Pois então, voltando aos meus arquivos... Eu estava lá fuçando as minhas pastas e achei esse dueto e achei que considerava bom demais para ser deixado de fora do disco. Já tinha decidido que aquele dueto seria o refrão e já tinha um esboço da melodia vocal. A idéia do resto da música se desenvolveu como uma espécie de homenagem ao Thin Lizzy. Da letra à forma, passando pelo jeito como a executamos e gravamos, creio que se aproxima um pouco das músicas de bandas clássicas de rock como ACDC ou até mesmo a moderna The Darkness.

A levada da batera é simples, mas quebra em diversos momentos, é dinâmica. É como se a guitarra e o baixo fossem um metrônomo e a batera sola por cima deles. Depois do refrão, a parte “A” se repete com apenas uma inclusão de guitarras limpas absurdamente inspiradas em The Edge, do U2. Na primeira vez, a nota que começa a frase é a forte e depois a acentuação fica na segunda nota desta mesma melodia. A parte cavalgada é uma alusão ao cavalo desse cowboy em questão e, obviamente, não poderia faltar o dueto final.

Na gravação, André t e Nancyta tiveram a brilhante idéia de incrementar o refrão com mais vozes e acabamos gravando duas vozes fazendo harmonia com a voz principal. Como a linha melódica é bem reta, o final do refrão é praticamente um acorde formado pelas vozes. Eu não consigo me decidir se gosto mais da harmonização das vozes ou do dueto do refrão. Eu acho que é uma briga injusta ter os dois acontecendo ao mesmo tempo, gostaria que em alguma parte da música o dueto ficasse em destaque, mas qualquer tentativa de prolongar esta música seria ruim, ela funciona bem dessa maneira.
A letra:

The immortal cowboy

I’m a cowboy
My life is on the road
I dropped my guns forever
And got into something better

It’s an electric guitar
It screams and asks for more
And I don’t need no bullets
The ammunition is my love

Listen to the immortal cowboy songs

My horse is invisible
Cause I ride the wind
With duets from the gods
And licks of heavy metal

But this cowboy here
Can’t live to play forever
His body will fade away
But his songs remain the same
Em português:

O coubói imortal

Eu sou um coubói
Minha vida é a estrada
Eu desisti de carregar armas
E me envolvi com algo melhor

É uma guitarra elétrica
Ela grita e pede mais
E não preciso de balas
A munição é o meu amor

Ouça as músicas imortais do coubói

Meu cavalo é invisível
Pois eu guio o vento
Com duetos dos deuses
E licks de heavy metal

Mas esse coubói
Não toca para sempre
O seu corpo desaparecerá
Mas as músicas viverão eternamente


Como a estrutura da música é muito simples, achei que seria esquisito colocar letras metafóricas, então acho que a letra é bastante auto-explicativa e direta. Mas mesmo assim, há duplo sentido em algumas frases. “Guiar o vento” pode ser puramente poético, mas também é científico, já que a música é a perturbação do ar. Então, se ele está tocando duetos e licks de heavy metal, ele está, literalmente, guiando o vento, através das perturbações de ar criadas pela movimentação das cordas da guitarra, ou do falante do amplificador, se quisermos ser mais específicos.

Como é diferente de tudo que já escrevi, ela se tornou a minha preferida rapidamente. The Immortal Cowboy é uma música acessível, pesada e melódica e acho que representa perfeitamente o objetivo musical do Plexus. 


faixas retiradas do cd LIFECYCLES - 2006


h o m e       b a n d a       d i s c o g r a f i a        d o w n l o a d s       c o n t a t o        i m p r e n s a         m e m ó r i a s